segunda-feira, 27 de julho de 2009

The Economist: Brazil's Petrobras - Oil and revolution

Leia abaixo o texto traduzido.

Se preferir a versão original, vá direto ao site do The Economist clicando AQUI.

Petróleo e revolução

A Petrobras possui vastas reservas de petróleo, influência comercial e excelentes conexões chinesas. Mas enfrenta incerteza política

Conforme os chefes das principais petrolíferas mundiais caminham, José Sergio Gabrielli sobressai-se, extraordinariamente. O presidente da Petrobras – gigante brasileira do setor de petróleo e gás, parte privada e parte pública – Gabrielli assumiu uma posição de esquerda na política aos 15 anos de idade. Depois de passar seis meses na prisão sob uma ditadura militar, mudou para o campo menos polêmico da macroeconomia, obtendo o doutorado pela Boston University e o posto de professor em uma universidade brasileira (da qual está licenciado). Voltando à política de esquerda na década de 1980, procurou trabalhar para o Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, desde 2005, dirige a mais ambiciosa petrolífera do mundo. A Petrobras é a principal produtora do maior campo petrolífero descoberto neste século, nas profundezas do oceano Atlântico.

Conexões políticas são essenciais para a Petrobras. Embora 60% das suas ações sejam negociáveis, o governo federal ainda é o seu acionista controlador. Seu conselho é presidido pela ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula, Dilma Rousseff. Mas a política também pode levar a empresa a apuros. O Congresso brasileiro criou recentemente uma comissão para investigar a Petrobras, em resposta às alegações de contratos superfaturados e motivações políticas nas atividades beneficentes da empresa.

Esta semana, o jornal O Globo deu uma amostra do que está por vir, com uma história revelando que um fornecedor da Petrobras havia dado, como seu endereço, uma casa abandonada ocupada por 60 cães e 300 gatos.

O Gabrielli considera a investigação positiva porque é uma chance de o público realizar um escrutínio sobre a principal companhia brasileira, mas teme que ela se torne um circo político, como acontece normalmente com essas comissões parlamentares do Congresso. A Petrobras já forneceu 10 mil páginas de provas para refutar a alegação de superfaturamento na construção de uma nova refinaria. Haverá muitas outras acusações como essas, e elas devem criar uma provável impressão de infração, mesmo se nada for realmente comprovado. O mesmo vale para o extenso orçamento beneficente para ajudar a preservar tartarugas e a subsidiar filmes, por exemplo. Isso é administrado de forma mais profissional do que no passado, mas a Petrobras ainda é vulnerável a acusações de favoritismo político.

Embora o inquérito possa causar alguns danos na reputação da Petrobras, estes provavelmente serão leves. A comissão tem a maioria da base aliada do governo. Seus membros incluem Fernando Collor, um ex-presidente que renunciou em 1992 enquanto enfrentava um processo de impeachment por corrupção, e Marcelo Crivella, um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, um Pentecostal uniforme. Eles vão se juntar ao espetáculo.

A segunda incerteza enfrentada pela Petrobras diz respeito a um novo marco legal que irá reger a exploração do petróleo pré-sal (os novos campos se encontram sob uma camada de sal abaixo do leito marinho). Uma comissão criada pelo governo para este estudo deve apresentar um relatório em breve. Prevê-se propor a aquisição de todos os direitos não atribuídos na área do pré-sal (62% do total) a uma nova empresa inteiramente de propriedade estatal, que seria parceira da Petrobras ou qualquer outra empresa que assine contratos exploração.

Diferentes alas do governo defendem que as receitas provenientes dessas parcerias sejam usadas para finalidades específicas, para a educação ou infra-estrutura, enquanto outros querem que as verbas sigam para os cofres federais. Um risco para o Brasil é que essa nova companhia se torne uma fonte de lucros sem uma real função, exceto satisfazer a avareza dos políticos. O maior perigo para a Petrobras é a possibilidade de a nova companhia vir a se tornar uma rival comercial.

A Petrobras está avançando com um ambicioso plano de investir US$ 174 bilhões nos próximos cinco anos. Críticos questionam o quanto deste plano será concretizado. Mas o senhor Gabrielli diz que mesmo que o preço do petróleo caia para não mais que US$ 45 dólares o barril, os US$30 bilhões levantados pela empresa este ano serão suficientes para financiar os planos da estatal para os próximos dois anos. Se o preço do petróleo estiver a US$ 65 dólares o barril (onde situava-se esta semana), a empresa poderá financiar os planos para os próximos cinco anos. Além de desenvolver os novos campos, ela pretende construir cinco novas refinarias, para gerar mais eletricidade e para construir uma rede de gasodutos no Brasil.

A Petrobras levantou US$ 10 bilhões do governo chinês no início deste ano, em troca da promessa feita à Sinopec, uma petrolífera estatal, de um fornecimento garantido de até 200 mil barris de petróleo por dia durante dez anos. Gabrielli quer mais acordos como esse. Além dos campos do pré-sal, a Petrobras está explorando 270 blocos no Golfo do México e mais de 200 outros em terra (onshore) no Brasil. Ele pode recorrer à China para financiá-los também. Os chineses, sorri ironicamente Gabrielli, “preferem fazer acordos à enviar o seu exército para garantir os fornecimentos, como os americanos.” O senhor do petróleo ainda ostenta um vestígio do agitador de 15 anos atrás.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ailton Medeiros: CPI DA PETROBRAS PÕE ECONOMIA EM RISCO

23/07/09
Até o “Financial Times” concorda: a CPI da Petrobrás põe em risco o “boom” da economia brasileira.

É o que diz reportagem do tradicional jornal britânico assinada pelo jornalista Don Phillips que chega a ironizar a grande mídia brasileira.

Confiram trechos:
“Apenas nos próximos cinco anos, a Petrobras planeja investir US$ 28,9 bilhões nos campos “pré-sal” de águas profundas. A investigação [a CPI] chega em um momento ruim”.

“A empresa está dando início ao desenvolvimento dos campos pré-sal tecnicamente complexos, mas o preparo de sua defesa já está desviando recursos administrativos desse esforço”, diz Gareth Chetwynd da “Upstream”, a revista especializada em petróleo e gás.”

Para ler o texto na íntegra, clique aqui.

Mônica Salmaso

Uma homenagem a quem considero a melhor cantora da atualidade.



quarta-feira, 22 de julho de 2009

domingo, 19 de julho de 2009

Fim dos CDs?

Que o CD tornou-se um objeto e produto obsoleto não se tem dúvidas. Os números que vieram após a morte de Michael Jackson comprovam que não há mais solução para a indústria de CD’s.

A venda de músicas de Michael Jackson disparou após sua morte. E disparou com muita força.

Só para termos uma idéia, na segunda-feira passada, os 13 discos mais vendidos na Amazon.com (é uma boa amostra do que é vendido no mundo) atualmente são de Michael Jackson ou do Jackson Five.

Estima-se que os discos do Rei do Pop tenham vendido algo em torno de 4 milhões de cópias, apenas nos últimos 20 dias. Para termos uma idéia da movimentação em torno do astro, no site Letras.com, dentre as 200 músicas mais pesquisadas, 69 eram do cantor.

Veja que ele tem os 13 discos mais vendidos do mundo atualmente, e em 23 dias vendeu “apenas” 4 milhões de cópias. Há 20 anos esse número seria irrisório. apenas com o álbum Thriller, Jackson vendeu mais de 100 milhões de cópias.

Mas em compensação, entre downloads legais e ilegais, o número seria superior a 200 milhões de transferências de arquivos, apenas em pouco mais de 20 dias.

O modelo de discos está realmente esgotado. Eu ainda não entendi porque algumas gravadoras ainda insistem no modelo antigo, com 15/20 músicas, quando o racional seria lançar uma música de cada vez, trabalhar junto com o artista na divulgação, e faturar de outra forma, como na promoção de shows.

Enquanto continuar desta forma, é inevitável que a pirataria continue ganhando a luta.

Primeiro que ninguém está disposto a pagar R$ 30,00 em um produto que pode conseguir facilmente na internet, de graça. Segundo que a maioria das pessoas escuta som em formato MP3, em ipod’s, tocadores de mp3, computadores, ou mesmo no som do automóvel.

É uma luta ingrata onde é inevitável a derrota.

O Rei do Pop fez estourar a MTV, os grandes shows, a venda de discos na década de 80 e também influenciou centenas de músicos, e na sua morte ajudou a provar que a indústria fonográfica já é um produto do passado.

"The American Dream" - Distribuição de renda nos EUA


Para quem acha que os EUA vive ainda o sonho americano (que nunca viveu).

Luis Nassif avalia candidatura de Serra

O Último Suspiro de Serra

do Blog de Luis Nassif


Entenda melhor o que está por trás dessa escalada de CPIs, escândalos e tapiocas da mídia.

A candidatura José Serra naufragou. Seus eleitores ainda não sabem, seus aliados desconfiam, Serra está quase convencido, mas naufragou.

Política e economia têm pontos em comum. Algumas forças determinam o rumo do processo, que ganha uma dinâmica que a maioria das pessoas demora em perceber. Depois, torna-se quase impossível reverter, a não ser por alguma hecatombe - um grande escândalo.

O início da derrocada

O início da derrocada de Serra ocorreu simultaneamente com sua posse como novo governador de São Paulo. Oportunamente abordarei as razões desse fracasso.

Basicamente:

1. O estilo autoritário-centralizador e a falta de punch para a gestão. O Serra do Ministério da Saúde cedeu lugar a um político vazio, obcecado com a política rasteira. Seu tempo é utilizado para planejar maldades, utilizar a mão-de-gato para atingir adversários, jornalistas atacando colegas e adversários e sua tropa de choque atuando permanentemente para desestabilizar o governo.

2. Fechou-se a qualquer demanda da sociedade, de empresários, trabalhadores ou movimentos sociais.

3. Trocou programas e ideias pelo modo tradicional de fazer política: grandes gastos publicitários, obras viárias, intervenções suspeitíssimas no zoneamento municipal (comandado por Andrea Matarazzo), personalismo absurdo, a ponto de esconder o trabalho individual de cada secretário, uso de verbas da educação para agradar jornais. Ao contrário de Franco Montoro, apesar de ter alguns pesos-pesados em seu secretariado, só Serra aparece. Em vez de um estado-maior, passou a comandar um exército de cabos e sargentos em que só o general pode se pronunciar.

4. Abandonando qualquer veleidade de inovar na gestão, qual a marca de Serra? Perdeu a de bom gestor, perdeu a do sujeito aberto ao contato com linhas de pensamento diversas (que consolidou na Saúde), firmou a de um autoritário ameaçador (vide as pressões constantes sobre qualquer jornalista que ouse lhe fazer uma crítica).

5. No meio empresarial (indústria, construção civil), perdeu boa parte da base de apoio. O mercado o encara com um pé atrás. Setores industriais conseguem portas abertas para dialogar no governo federal, mas não são sequer recebidos no estadual. Há uma expectativa latente de guerra permanente com os movimentos sociais. Sobraram, para sua base de apoio, a mídia velha e alguns grandes grupos empresariais de São Paulo - mas que também (os grupos) vêem a candidatura Dilma Rousseff com bons olhos.

A rede de interesses

O PSDB já sabe que o único candidato capaz de surpreender na campanha é Aécio Neves. Deixou marca de boa gestão, mostrou espírito conciliador, tem-se apresentado como continuidade aprimorada do governo Lula - não como um governo de ruptura, imagem que pegou em Serra.

Será bem sucedido? Provavelmente não. Entre a herança autêntica de Lula - Dilma - e o genérico - Aécio - o eleitor ficará com o autêntico. Além disso, se Serra se tornou uma incógnita em relação ao financismo da economia, Aécio é uma certeza: com ele, voltaria com tudo o estilo Malan-Armínio de política econômica, momentaneamente derrotado pela crise global. Mas, em caso de qualquer desgaste maior da candidatura oficial, quem tem muito mais probabilidade de se beneficiar é Aécio, que representa o novo, não Serra, que passou a encarnar o velho.

Acontece que Serra tem três trunfos que estão amarrando o PSDB ao abraço de afogado com ele.

O primeiro, caixa fornida para bancar campanhas de aliados. O segundo, o controle da Executiva do partido. O terceiro, o apoio (até agora irrestrito) da mídia, que sonha com o salvador que, eleito, barrará a entrada de novos competidores no mercado.

Se desiste da candidatura, todos os que passaram a orbitar em torno dele terão trabalho redobrado para se recolocarem ante outro candidato. Os que deram apoio de primeira hora sempre terão a preferência.

Fica-se, então, nessa, de apelar para os escândalos como último recurso capaz de inverter a dinâmica descendente de sua candidatura. E aí sobressai o pior de Serra.

Ressuscitando o caso Lunus

Em 2002, por exemplo, a candidatura Roseana Sarney estava ganhando essa dinâmica de crescimento. Ganhara a simpatia da mídia, o mercado ainda não confiava em Serra. Mas não tinha consistência. Não havia uma base orgânica garantindo-a junto à mídia e ao eleitorado do centro-sul. E havia a herança Sarney.

Serra acionou, então, o Delegado Federal Marcelo Itagiba, procuradores de sua confiança no episódio que ficou conhecido como Caso Lunus - um flagrante sobre contribuições de campanha, fartamente divulgado pelo Jornal Nacional. Matou a candidatura Roseana. Ficou com a imagem de um chefe de KGB.

A dinâmica atual da candidatura Dilma Rousseff é muito mais sólida que a de Roseana.

1. É apoiada pelo mais popular presidente da história moderna do país.

2. Fixou imagem de boa gestora. Conquistou diversos setores empresariais colocando-se à disposição para conversas e soluções. O Plano Habitacional saiu dessas conversas.

3. Dilma avança sobre as bases empresariais de Serra, e Serra se indispôs com todos os movimentos sociais por seu estilo autoritário.

4. Grande parte dessa loucura midiática de pretender desestabilizar o governo se deve ao receio de que Dilma não tenha o mesmo comportamento pacífico de Lula quando atacada. Mas ela tem acenado para a mídia, mostrando-se disposta a uma convivência pacífica. Não se sabe até que ponto será bem sucedida, mas mostrou jogo de cintura. Já Serra, embora tenha fechado com os proprietários de grupos de mídia, tem assustado cada vez mais com sua obsessão em pedir a cabeça de jornalistas, retaliar, responder agressivamente a qualquer crítica, por mais amena que seja. Se já tinha pendores autoritários, o exercício da governança de São Paulo mexeu definitivamente com sua cabeça. No poder, não terá a bonomia de FHC ou de Lula para encarar qualquer crítica da mídia ou de outros setores da economia.

5. A grande aposta de Serra - o agravamento da crise - não se confirmou. 2010 promete ser um ano de crescimento razoável.

Com esse quadro desfavorável, decidiu-se apertar o botão vermelho da CPI da Petrobrás.

O caso Petrobras

Com a CPI da Petrobras todos perderão, especialmente a empresa. Há um vasto acervo de escândalos escondidos do governo FHC, da passagem de Joel Rennó na presidência, aos gastos de marketing especialmente no período final do governo FHC.

Todos esses fatos foram escondidos devido ao acordo celebrado entre FHC e José Dirceu, visando garantir a governabilidade para Lula no início de seu governo. A um escândalo, real ou imaginário, aqui se devolverá um escândalo lá. A mídia perdeu o monopólio da escandalização. Até que grau de fervura ambos os lados suportarão? Lá sei eu.

O que dá para prever é que essa guerra poderá impor perdas para o governo; mas não haverá a menor possibilidade de Serra se beneficiar. Apenas consolidará a convicção de que, com ele presidente, se terá um país conflagrado.

Dependendo da CPI da Petrobras, aguarde nos próximos meses uma virada gradual da mídia e de seus aliados em direção a Aécio.